quarta-feira, dezembro 21, 2005

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Parabéns!!!


quinta-feira, dezembro 08, 2005

Se vocês estiverem aqui este fim de semana,
não deixem de ver o nosso bazar de natal.


segunda-feira, dezembro 05, 2005

sábado, novembro 26, 2005








sexta-feira, novembro 18, 2005

Acompanhem aqui a saga do capão.



quinta-feira, novembro 10, 2005

Lembranças de Viagens

























Igreja de Sainte Chapelle - Paris - 2002

sexta-feira, outubro 28, 2005














Descoberta super agradavel.


Sheila Leirner. Aqui e aqui.




"Un tableau ne vit que par celui qui le regarde."

quarta-feira, outubro 26, 2005

Quanto vale meu blog?



My blog is worth $3,387.24.
How much is your blog worth?



Achei esta dica entre os comentários na Cora.
Veio daqui.
Gostei.

domingo, outubro 23, 2005

Luis Fernando Verissimo


Interferência


Agora é tarde, Inez é morta, provavelmente a tiros, mas o debate vai continuar depois do referendo. E como muita gente se queixou que o referendo foi confuso, sugiro que da próxima vez que consultarem a população sobre o assunto simplifiquem a pergunta, colocando-a em termos corriqueiros, de experiências pessoais como as que estão todos os dias nos jornais, e que qualquer um entenderá. Por exemplo: se você fosse a mãe de um rapaz morto com um tiro numa briga de torcidas, preferiria que fosse mais difícil alguém ter acesso a armas como a que matou seu filho ou que seu filho também tivesse acesso a uma arma para poder se defender? Não é uma pergunta sentimental ou injustamente armada para favorecer um lado, eu até tenho dúvidas sobre como as "mães" hipotéticas responderiam. Mas a questão é, ou era, simplificada, exatamente esta.


Os que pregaram o "Não" invocaram muito a interferência indevida do estado na vida e no direito de escolha dos cidadãos. Vale a pena recordar outras ocasiões em que foram ouvidas queixas parecidas, na história do Brasil. Na abolição da escravatura havia tantos argumentos fortes a favor como contra a medida e - como no caso do referendo das armas - muitos dos antiabolicionistas nem tinham escravos, defendiam a escravatura em nome do direito de quem tinha de não ser coagido pelo estado. Não foi uma resistência emocional, foi racional e bem articulada como muitos dos artigos que lemos recentemente na defesa do "Não", e o resultado é que atrasou a nossa história. O Brasil foi o último país do mundo a acabar com a imoralidade do escravismo. Mas algumas defesas da liberdade de ter escravos foram brilhantes.

Outro exemplo: a revolta contra a vacinação antivaríola no Rio de Janeiro, que chegou, violentamente, às ruas, mas começou na imprensa, onde Oswaldo Cruz era denunciado como uma ameaça pública pior do que qualquer epidemia. Foi preciso recorrer às armas para enfrentar a revolta, e alguns setores do exército aderiram aos revoltosos. A população do Rio foi vacinada literalmente à força. Livrou-se da varíola sob repetidos protestos contra aquela suprema interferência - subcutânea! -do estado na vida dos cidadãos. Oswaldo Cruz perderia um hipotético referendo popular sobre a vacina, na época, de zero.

O Brasil perdeu a oportunidade de dar um bom exemplo ao mundo na questão das armas. Mas estou escrevendo sem saber qual foi o resultado do referendo. Pode ter dado o "Sim". Neste caso, se você leu até aqui, desleia.

domingo, outubro 16, 2005

Bateu uma vontade de fazer as malas...
















Fontaine de Médicis - Jardins de Luxemburgo em Paris - 2002

quinta-feira, outubro 13, 2005












CCBB Rio de Janeiro
1º e 2º andares e Foyer
De 11 de outubro de 2005 a 29 de janeiro de 2006

Rua Primeiro de Março, 66 - Rio de Janeiro RJ
Telefone: 21 3808-2070

quinta-feira, setembro 29, 2005

Luis Fernando Verissimo


O rico, o pobre e a galinha


Parábola com possível alusão à atual conjuntura.Um rico passa pela entrada de um labirinto e não resiste. Entra. Quer saber o que se esconde no centro do labirinto. Talvez seja um tesouro ou, no mínimo, uma oportunidade de negócios. É da natureza humana querer explorar o desconhecido e é da natureza dos ricos querer ficar mais ricos. Como, além de um aventureiro e um empreendedor, o rico é um ser racional, vai deixando moedas no caminho, para depois voltar pelo mesmo caminho e encontrar a saída do labirinto.


No centro do labirinto não há nada, só o centro de um labirinto e, quando se vira para começar o caminho de volta, o rico dá com o pobre, que chega colocando a última moeda do chão na sua sacola.

- Minhas moedas! diz o rico.

- Suas? Estavam no chão. Vim catando todas pelo caminho. Agora são minhas. Tenho direito a um pouco da riqueza do mundo.

- Imbecil! Eu as deixei pelo chão para encontrar o caminho de volta, já que sou um ser racional. Agora eu não encontrarei a saída. Agora eu vou ficar neste labirinto pelo resto da vida.

- "Eu, eu, eu." Você só pensa em você, como todos os ricos. E eu?

- Você também está condenado a ficar neste labirinto pelo resto da vida. Culpa da sua ganância e da sua burrice.

- Outra mania de rico - achar que quem é pobre é burro. Mas eu também sou um ser racional, meu caro. Em lugar das moedas deixei grãos de milho pelo chão, para me guiar de volta à saída do labirinto.

Os dois se preparam para sair do centro do labirinto quando dão com uma galinha, que chega bicando o último grão de milho. A galinha passou pela entrada do labirinto, viu os grãos enfileirados no chão e também não resistiu. Foi comendo o milho de grão em grão sem deixar nada em seu lugar para mostrar o caminho de volta.

O rico e o pobre xingam a galinha juntos. Chamam a galinha de irresponsável. De inconseqüente. O rico diz que entrou no labirinto porque é um aventureiro e um empreendedor, e porque é da sua natureza explorar o desconhecido e as oportunidades de enriquecer mais. O pobre diz que entrou no labirinto atrás de moedas, mesmo as moedas sendo de outro, porque tem direito a um pouco da riqueza do mundo. E a galinha, que só foi atrás da sua fome?

E o rico e o pobre passam o resto de suas vidas correndo pelo labirinto atrás da galinha, que, como não é um ser racional, nem sabe o que está fazendo ali.

O que deve significar alguma coisa.

domingo, setembro 18, 2005



Estou reformando o Mundo Museus, se tiverem alguma dica será super bem recebida.

domingo, setembro 04, 2005

sexta-feira, setembro 02, 2005

Adorei Zana. Somos o mesmo filme.






Você é "O Fabuloso Destino de Amelie Poulain" de Jean Pierre Jeunet. Você é engraçado(a), original. Uma pessoa leve e maravilhosa de se conviver.

Faça você também Que
bom filme é você?
Uma criação deO
Mundo Insano da Abyssinia


terça-feira, agosto 30, 2005

Achei no jornal Toronto Star.

domingo, agosto 14, 2005

A lição das sanguessugas


Li numa revista "New Yorker" recente que as sanguessugas estão de volta. Usadas há muitos anos na medicina para fazer sangrias - elas são simplesmente vermes que se atracam em animais e se alimentam do seu sangue - as sanguessugas aplicadas em humanos eram consideradas exemplos particularmente bárbaros de métodos primitivos, felizmente ultrapassados. Mas elas, aparentemente, nunca deixaram de ser usadas e agora estão voltando com prestígio redobrado. Existe um lucrativo negócio de criação de sanguessugas com um grande mercado mundial, não na medicina alternativa ou clandestina mas na terapia normal.


Fiquei sabendo que as sanguessugas não só são aparelhadas para fazerem incisões precisas e aderirem firmemente à pele como expelem um líquido anestésico durante a operação, junto com um vasodilatador, um anticoagulante e um quarto líquido que dispersa os demais por toda a área visada, garantindo a liquidez do sangue. São pequenos kits cirúrgicos descartáveis em forma de minhoca gorda. E funcionam. Aguarda-se para breve a reabilitação de ventosas no tratamento de pulmão fraco.

Aprendi também que existem vários tipos de sanguessugas, inclusive um tipo que vive em cavernas na Nova Guiné e se alimenta do sangue de morcegos ? o que não deixa de ter uma certa justiça poética. Mas o ponto a que eu queria chegar, já que esta se trata de uma crônica inspiradora, é que há uma espécie de sanguessuga que vive em sovaco de tartaruga, outra que vive em narina de camelo e outra que vive em ânus de hipopótamo. É isto: nascem, não sei como, criam-se e morrem nestes habitats específicos, como se não bastassem sua forma pouco atraente e sua dieta limitada. Mas mesmo se não tivessem sido poupadas da consciência da sua situação, as sanguessugas que vivem em sovaco de tartaruga teriam o conforto de saber que pelo menos não viviam em narina de camelo, e que as que vivem em narina de camelo saberiam que, por pior que fosse seu destino, por mais que o mundo lhes parecesse injusto e sem perspectiva, estavam melhor que a sanguessuga no ânus do hipopótamo. Esta, a não ser pela glória inversa de ser o mais baixo que se pode chegar no mundo, não teria consolo nenhum.

Esta é a minha mensagem, irmão. Quando estiver desiludido, sem esperança, achando que nada pode ser pior do que como você se sente, pense na sanguessuga no ânus do hipopótamo. E reanime-se.

Luis Fernando Verissimo

O Globo

Publicado em 14 de agosto de 2005

terça-feira, agosto 09, 2005

Recebi,já faz tempo e perdi.Hoje passeando,achei na Bia Badaud:

SINALIZAÇÃO PARA O PAN-AMERICANO 2007

A Governadora Rosinha, pensando nos gringos que vêm ao Rio de Janeiro para os Jogos Pan-Americanos de 2007, já mandou escrever as placas de sinalização dos bairros da cidade em duas línguas.

* German Mountain - Morro do Alemão
* Big Field - Campo Grande
* Little Field - Campinho
* Nice to meet you - Encantado (huahauhauhauhauaha!!!!)
* Will go now - Irajá
* To walk there - Andaraí
* Dry Square - Praça Seca
* Set fire - Botafogo
* Customers - Freguesia (huehuhauehuheuahuqhaehuahuaehuheuahe!!)
* Set black people free - Abolição (gaaaaaaaahahahahahaha!!!)
* Very very holy - Santíssimo
* Wait a minute - Paciência (huauhauahuahuahauhauhauaha!)
* Setting free - Livramento
* Good Success - Bonsucesso
* Very deep island - Ilha do Fundão (hahahahahahahahahahaha!!!)
* Grandson Rabbit - Coelho Neto
* High School - Colégio
* Happy view - Vista Alegre
* Hard Cover - Cascadura (uuuuáááááááááhahahahahaha!!)
* Priest Michael - Padre Miguel
* Mercy - Piedade
* It's very cheap! - Pechincha (hohohohaohaohaohaohaoahoaoho!!!)
* Nice stay - Benfica
* Bless you - Saúde
* Flag Square - Praça da Bandeira
* Flagmen Funtime - Recreio dos Bandeirantes
* Small Farm - Rocinha
* All Saints - Todos os Santos
* Mary of Grace - Maria da Graça
* Holy Cross - Santa Cruz
* Hello, smile - Olaria
* Mango Tree - Mangueira
* Inside Mill - Engenho de Dentro
* New Mill - Engenho Novo
* Alligator to the water - Jacarepaguá

sábado, agosto 06, 2005

Fui visitar a Monica e cheguei No Limite da Razão.Aproveitei e peguei esta dica:


Peguei da Cora, que achou aqui. Realmente exagera um pouco pois Nova York e Washington viraram EUA inteiro e leste do Canadá ficou super abrangente,mas valeu...
Você marca os países onde já esteve.

sexta-feira, agosto 05, 2005

Vou aparecer por Itaipava...

segunda-feira, julho 11, 2005

As cores do dinheiro em Brasília





Deputado do PFL é flagrado em jatinho com milhões de reais em espécie dentro de sete malas coloridas. Bispo da Universal,
ele diz que é dízimo da igreja...



O Globo

quinta-feira, junho 30, 2005

Vejam os outros no Kibe Loco!


quarta-feira, junho 29, 2005

Parada de sucessos.
Vi na Cora.



Lula pra Roberto Jefferson:

Não, eu não posso lembrar que te amei
Não, eu preciso esquecer que sofri
Faça de conta que o tempo passou
E que tudo entre nós terminou
E que a vida não continuou pra nós dois
Caminhemos, talvez nos vejamos depois...

Delúbio pro PT:

Desculpe o auê
Eu não queria magoar você
Foi ciúme, sim
Fiz greve de fome, guerrrilhas, motim
Perdi a cabeça
Esqueça..

Da próxima vez eu me mando...
Por você vou roubar os anéis de Saturno

Lula pro Delúbio:

Você abusou
Tirou partido de mim
Abusou
Tirou partido de mim
Abusou
Tirou partido de mim
Abusou...

Sarney pra Lula:

Pode ir armando o coreto
E preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando

Põe meia dúzia de Brahma pra gelar
Muda a roupa de cama
Eu tô voltando...

quinta-feira, junho 23, 2005

Começa hoje. Posted by Hello

terça-feira, junho 21, 2005

Vi o PhotoBlob noCafé Preto e já andei colocando umas fotos. Posted by Hello

quarta-feira, junho 08, 2005

Sol LeWitt


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Anne Bancroft.Morreu esta terça, aos 73 anos.

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quinta-feira, junho 02, 2005

Aprendi a dobrar camisetas aqui.É super fácil!

quinta-feira, maio 19, 2005

Typedrawing.
Vi na Carminha e já fiz uma porção.

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terça-feira, maio 17, 2005

Achei na Cora, que achou aqui.


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sábado, abril 23, 2005

Diretamente do Kibe Loco.


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sábado, abril 16, 2005

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Mini girassol

terça-feira, abril 05, 2005

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Eu não gostava do Papa João Paulo II

Escrevo enquanto vejo a morte do Papa na TV. E me espanto com a imensa emoção mundial. Espanto-me também comigo mesmo: "Como eu estou sozinho!" pensei.

Percebi que tinha de saber mais sobre mim, eu, sozinho, sem fé alguma, no meio desse oceano de pessoas rezando no Ocidente e Oriente. Meu pai, engenheiro e militar, me passou dois ensinamentos: ele era ateu e torcia pelo América Futebol Clube. Claro que segui seus passos. Fui América até os 12 anos, quando "virei casaca" para o Flamengo (mas até hoje tenho saudade da camisa vermelha, garibaldina, do time de João Cabral e Lamartine Babo) e parei de acreditar em Deus.

Sei que "de mortuis nihil nisi bonum" ("não se fala mal de morto"), mas devo confessar que nunca gostei desse Papa. Por quê? Não sei. É que sempre achei, nos meus traumas juvenis, que Papa era uma coisa meio inútil, pois só dava opiniões genéricas sobre a insânia do mundo, condenando a "maldade" e pedindo uma "paz" impossível, no meio da sujeira política.

Quando João Paulo entrou, eu era jovem e implicava com tudo. Eu achava vigarice aquele negócio de fingir que ele falava todas as línguas. Que papo era esse do Papa? Lendo frases escritas em partituras fonéticas... Quando ele começou a beijar o chão dos países visitados, impliquei mais ainda. Que demagogia! reinando na corte do Vaticano e bancando o humilde...

Um dia, o Papa foi alvejado no meio da Praça de São Pedro, por aquele maluco islâmico, prenúncio dos tempos atuais. Eu tenho a teoria de que aquele tiro, aquela bala terrorista despertou-o para a realidade do mundo. E o Papa sentiu no corpo a desgraça política do tempo. Acho que a bala mudou o Papa. Mas fiquei irritadíssimo quando ele, depois de curado, foi à prisão "perdoar" o cara que quis matá-lo. Não gostei de sua "infinita bondade" com um canalha boçal. Achei falso seu perdão que, na verdade, humilhava o terrorista babaca, como uma vingança doce.

E fui por aí, observando esse Papa sem muita atenção. É tão fácil desprezar alguém, ideologicamente... Quando vi que ele era "reacionário" em questões como camisinha, pílula e contra os arroubos da Igreja da Libertação, aí não pensei mais nele...Tive apenas uma admiração passageira por sua adesão ao Solidariedade do Walesa mas, como bom "materialista", desvalorizei o movimento polonês como "idealista", com um Walesa meio "pelego". E o tempo passou.

Depois da euforia inicial dos anos 90, vi que aquela esperança de entendimento político no mundo, capitaneado pelo Gorbatchev, fracassaria. Entendi isso quando vi o papai Bush falando no Kremlin, humilhando o Gorba, considerando-se "vitorioso", prenunciando as nuvens negras de hoje com seu filhinho no poder. Senti que o sonho de entendimento socialismo-capitalismo ia ser apenas o triunfo triste dos neo-conservadores. O mundo foi piorando e o Papa viajando, beijando pés, cantando com Roberto Carlos no Rio. Uma vez, ele declarou: "A Igreja Católica não é uma democracia". Fiquei horrorizado naquela época liberalizante e não liguei mais para o Papa "de direita".

Depois, o Papa ficou doente, há dez anos. E eu olhava cruelmente seus tremores, sua corcova crescente e, sem compaixão alguma, pensava que o Pontífice não queria "largar o osso" e ria, como um anticristo.

Até que, nos últimos dias, João Paulo II chegou à janela do Vaticano, tentou falar... e num esgar dolorido, trágico, foi fotografado em close, com a boca aberta, desesperado.

Essa foto é um marco, um símbolo forte, quase como as torres caindo em NY. Parece um prenúncio do Juízo final, um rosto do Apocalipse, a cara de nossa época. É aterrorizante ver o desespero do homem de Deus, do Infalível, do embaixador de Cristo. Naquele momento, Deus virou homem. E, subitamente, entendi alguma coisa maior que sempre me escapara: aquele rosto retorcido era o choro de uma criança, um rosto infantil em prantos! O Papa tinha voltado a seu nascimento e sua vida se fechava. Ali estava o menino pobre , ex-ator, ex-operário, ali estavam as vítimas da guerra, os atacados pelo terror, ali estava sua imensa solidão igual à nossa. Então, ele morreu. E ontem, vendo os milhões chorando pelo mundo, vendo a praça cheia, entendi de repente sua obra, sua imensa importância. Vendo a cobertura da Globo, montando sua vida inteira, seus milhões de quilômetros viajados, da África às favelas do Nordeste, entendi o Papa. Emocionado, senti minha intensíssima solidão de ateu. Eu estava fora daquelas multidões imensas, eu não tinha nem a velha ideologia esfacelada, nem uma religião para crer, eu era um filho abandonado do racionalismo francês, eu era um órfão de pai e mãe. Aí, quem tremeu fui eu, com olhos cheios d?água. E vi que Karol Wojtyla, tachado superficialmente de "conservador", tinha sido muito mais que isso. Ele tinha batido em dois cravos: satisfez a reacionaríssima Cúria Romana implacável e cortesã e, além disso, botou o pé no mundo, fazendo o que italiano algum faria: rezar missa para negões na África e no Nordeste, levando seu corpo vivo como símbolo de uma espiritualidade perdida. O conjunto de sua obra foi muito além de ser contra ou a favor da camisinha. Papa não é para ficar discutindo questões episódicas. É muito mais que isso. Visitou o Chile de Pinochet e o Iraque de Saddam e, ao contrário de ser uma "adesão alienada", foi uma crítica muito mais alta, mostrando-se acima de sórdidas políticas seculares, levando consigo o Espírito, a ideia de Transcendência acima do mercantilismo e ditaduras. E foi tão "moderno" que usou a "mídia" sim, muito bem, como Madonna ou Pelé.

E nisso, criticou a Cúria por tabela, pois nenhum cardeal sairia do conforto dos palácios para beijar pé de mendigo na América Latina. João Paulo cumpriu seu destino de filósofo acima do mundo, que tanto precisa de grandeza e solidariedade.

Sou ateu, sozinho, condenado a não ter fé, mas vi que se há alguma coisa de que precisamos hoje é de uma nova ética, de um pensamento transcendental, de uma espiritualidade perdida. João Paulo na verdade deu um show de bola.

Arnaldo Jabor

sexta-feira, março 04, 2005

Meu pc está subindo no telhado... Posted by Hello

segunda-feira, janeiro 24, 2005

.Vale a pena conhecer. Posted by Hello